Crítica do espetáculo “Espaço Outro” por Jackson Amorim

Laboratório Crítica Teatral
Espetáculo Espaço Outro
POR JACKSON AMORIM

Espaço Outro é uma peça de teatro apresentada pela ACRUEL COMPANHIA.  O público é convidado a entrar em uma grande caixa de acrílico transparente onde uma narração em Off orienta nosso olhar. As cenas acontecem fora, espalhadas pela praça. A poesia do cotidiano não acontece e o espetáculo nos parece um acúmulo de desencontros cênicos. Imaginem no meio da praça um grupo de pessoas dentro de uma caixa de acrílico transparente, nós observamos o fora, e somos observados enquanto estamos dentro. A idéia é interessante mas a metáfora é obvia. Há uma tensão para o que pode acontece, mas o teatro, a teatralidade não acontece. A voz em Off de  dentro da caixa acrílica tenta direcionar nosso olhar, dizendo-nos  para olharmos para uma das direções. Daí as cenas surgem: um grupo de pessoas festejando,  um homem  lendo um livro, uma  mulher chorando, uma briga, uma festa. Tudo ocorre tão distante que o olhar o espaço do outro se torna impossível. Nosso olhar se perde. Apenas observamos algo que não nos toca e uma sucessão de pieguice que tentam nos colocar em estados emocionais  e  perceptivos. Mas nada acontece, a não ser o sol que queima nosso rosto, este sim deu o ar de sua graça. O espetáculo então, perde sua força latente. Que mistério é esse que faz com que eu não embarque na viagem desse espetáculo e resolva sair de dentro da tal caixa de acrílico?  Bom, Não existe mistério nenhum: o mistério é que foram infelizes em sua criação, é preciso repensar, construir uma dramaturgia tanto textual quanto corporal que permitam dizer algo, um corpo que permita expressar e que tenha conexão com o que se apresenta juntamente com a voz em Off dentro da caixa.  A idéia da estrutura de acrílico é interessante, porém ela não se sustenta devido a má construção textual e as desconecções com o mundo proposto, isto é, o mundo do outro, o espaço do outro, o olhar o outro e o olhar de outro modo. O espaço outro deveria nos transportar para espaços-outros, espaços de memória, espaços de re-significação, gerar territórios, lugares e acontecimentos. Habitar esses acontecimentos não para substituir algo que queira expressar, mas para misturar-se a própria expressão. E isso não acontece.

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