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Fotos “O vendedor de Cenas”

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“O Vendedor de Cenas” por Jéssica Michels

Laboratório Crítica Teatral
Espetáculo “O Vendedor de Cenas”
Por Jéssica Michels

“Vendem-se cenas, vendem-se cenas”.  A oferta era anunciada enfaticamente na abertura do espetáculo “O vendedor de Cenas”, da Cia Studio em Cena.  No palco, uma arara de roupas e calçados. Atrás, escondidos, os atores.  Fernanda Moreira, que interpreta o vendedor ambulante, reconhece que o produto é inusitado e oferece então amostras grátis para a plateia. Distribuindo catálogos, a plateia pode escolher entre as 20 opções de cenas nos sabores comédia, drama, romance e infantil. “Dizem que cada um vende o que pode; e a única coisa que eu tenho é uma equipe de atores”, explica o vendedor. Os dez atores são novos, mas já surpreendem na interpretação. Por vez, um mesmo ator encanta numa cena e deixa a desejar noutra. O espetáculo se completa neste jogo cênico entre os atores, o público interligados pelo vendedor. A troca de figurino é realizada em cena e muitas vezes, deixa a plateia apreensiva e ansiosa, pois o espetáculo perde o ritmo. A dinâmica da peça está bem construída e a força vital está no vendedor, porém o jogo se desfaz durante a troca de figurino. Um espetáculo interessante, diferente e divertido. Devemos considerar que a proposta é simples e o público comprou a ideia, mas não podemos deixar de observar os inúmeros erros de concordância cometidos por alguns atores, o problema de dicção de outros e certo desconforto demonstrado por alguns atores na cena.

Espetáculo “Uma festa para Eulália” por Bruno Arins

Laboratório Crítica Teatral
Espetáculo “Uma festa para Eulália”
Por Bruno Arins

Curiosas situações típicas da terceira idade feminina são apropriadas por Jura Arruda para criar uma história que a princípio parece ser tola, mas que reflete a realidade dos idosos de nossos dias. Numa atmosfera de inocência e simpatia, “Uma festa para Eulália” narra a preocupação de uma senhora com a chegada de sua aposentadoria. O que para suas amigas é motivo de comemoração, para Eulália se compara à chegada da morte. Esta mórbida analogia é responsável pelo desenrolar da história e, sob este contexto, as expectativas de vida das diversas personagens vão sendo apresentadas. Um clima feminista é instaurado com a altivez das mulheres em se opor à submissão masculina. O Alzheimer e a autoestima de deficientes físicos são temas tratados à base da comédia. Mesmo com dificuldades, como o roteiro, que leva certo tempo para ser absorvido e os constantes momentos em que as atenções recaem sobre o drama da cadeirante, a peça cumpre seu papel visivelmente social. Do ponto de vista estritamente crítico,  desafia a construção técnica e estética ao que se considera um espetáculo teatral digno. Porém, não há como resistir a doces senhoras que emprestam seu charme e sua paixão pela vida a personagens cativantes e engraçadas. Os elementos mínimos para uma trama envolvente estão presentes, e atuam como que numa novela. É interessante notar que as próprias atrizes claramente são parte daquilo que representam com suas personagens. São ávidas por viver em plenitude; estão ali porque buscam aventurar-se; querem ocupar-se a fim de distanciarem-se do ócio. Talvez seja por estes motivos que a entrega às personagens é tão sincera. A festa propriamente dita surge apenas no final. Mas para as atrizes da Cia Novo Tempo – bem como para a plateia, a festa já começou lá no início. Uma festa não só para Eulália, mas para toda a família.

Fotos “Uma Festa para Eulália” por Jéssica Michels

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“Uma Festa para Eulália” por Carolinne Sagaz

Laboratório Crítica Literária
Espetáculo “Uma Festa para Eulália”
Por Carolinne Sagaz

É o último dia de trabalho de Eulália; ela vai se aposentar. Enquanto questiona o sentido que a vida terá a partir de então e lamenta a “morte” da aposentadoria, seis amigas organizam uma festa para animá-la. “Uma Festa para Eulália”, do grupo joinvilense de Teatro Novo Tempo, é uma peça bem humorada, cheia de piadas clichês que se tornam engraçadas graças a boa construção das personagens e as interpretações singulares de todo o grupo. O Grupo Novo Tempo surgiu a partir de uma oficina ministrada, em 2003, para os aposentados pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Joinville (Ipreville). O tema aposentadoria, e a crise existencial que costuma vir junto, é bem próximo da realidade das atrizes e foi escrito especialmente para o grupo. Em certos momentos, o espectador tem a sensação de que as mulheres no palco estão interpretando elas mesmas e de que alguns diálogos foram copiados metodicamente de cenas reais. A peça escorrega em alguns detalhes, como a iluminação alaranjada e quente numa cena que se passa sob a luz do luar, mas no geral agradou ao público e arrancou gargalhadas. Um bom exemplo de como a arte pode reintegrar as pessoas à vida e ter um caráter educativo.

Fotos do espetáculo “Entre a Espada e a Rosa”

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Espetáculo “Entre a Espada e a Rosa” por Jéssica Michels

Laboratório Crítica Teatral
Espetáculo “Entre a Espada e a Rosa”
Por Jéssica Michels

Cortinas abertas, um cumprimento e um convite. Cantando, Ângela Finardi e Gisele Becker, convidam o público para tirar os sapatos e se aconchegar nas cadeiras e almofadas que formam uma grande roda, num formato de teatro arena. O linóleo foi trocado por esteiras de palha. As atrizes, vestidas com roupas leves e brancas, encenaram então o conto da escritora Marina Colasanti, “Entre a espada e a rosa”, que leva o nome do espetáculo, o primeiro trabalho do Grupo Teatral Fio de Ariadne. A costura é bem feita ao som do kântele (instrumento de cordas) e da flauta, que dão suavidade e delicadeza para a encenação. O espetáculo é uma contação de histórias com a atmosfera intimista, familiar. E esta é a proposta da peça teatral. Os elementos de cena, as luzes, os sons e o figurino não são amplamente explorados, mas são tratados com sutileza, o que intriga uma reflexão subjetiva sobre o significado destes elementos. O segundo conto “Entre o Leão e o Unicórnio” mantém o estilo de interpretação das atrizes, que em alguns momentos seguram o livro e fazem uma leitura narrativa de trechos, que caracteriza a contação de histórias encenada. “Longe Como o meu Querer” é o último texto apresentado e novamente, a música, a dança suave e os sons realizam a ligação das cenas. O clima aconchegante faz com que o público interaja com as atrizes nos intervalos dos contos. As atrizes se desfazem de seus personagens e incentivam a plateia a compartilhar suas histórias, servindo chá e biscoitos, remetendo as lembranças de infâncias